17 November 2015

Houve uma altura em que não significavas nada para mim.
As sardas salpicadas pelas tuas bochechas nunca tiveram qualquer poder sobre mim, nem a tua voz ou a forma como as tuas pálpebras vibravam enquanto fechavas os olhos e cantavas a tua música preferida. 
Já do teu cheiro não posso dizer o mesmo, era viciante.
Fuck. 
Entretanto acho que me fui esquecendo e comecei a olhar para ti de outra maneira.
Tentei sempre manter uma certa superioridade nos meus pulmões, enchia-os e depois expirava-a para cima daqueles casais atordoados e com os olhos estrelados de paixão. 
Felizmente já me saíste da cabeça, nem eu te queria cá. 
Às vezes ainda tentas voltar. Já nem ligo, é só o meu subconsciente a tentar lixar-me.
Nunca me curtiu. 
Às vezes passa alguém com o mesmo perfume que usavas e os meus joelhos voltam a tremer por um sentimento que nunca houve entre nós. Já passou.
Seremos em segredo tudo aquilo que não sabíamos querer ser, porque ser em segredo é aquilo que fazemos melhor.

/thoughts from 2014/

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