24 November 2015

O à de vir é a nossa irremediável existência. Estamos presos nesta sina, o que é que havemos de fazer? Para nós o presente não existe. I mean, existe, mas só durante um bocado, enquanto bebemos um café rápido na pastelaria da esquina, depois queimamos a língua, o presente desaparece e já não pensamos nele, torna-se noutra coisa mais complicada e complicações não é connosco. Temos a ilusão da eternidade porque sabe melhor pensar que o mundo nunca acaba, e se o mundo nunca acaba nós também não. 
Mas tenho andado a pensar, e isto sou eu com as dúvidas existenciais que o Vergílio Ferreira me passou e já com um certo nível de álcool no sangue: e se o passado, o presente e o futuro acontecerem todos ao mesmo tempo? 
Hear me out que isto é algo que me assiste há muitos anos, se calhar tenho demasiada ficção científica no corpo. E se o passar do tempo for uma fantasia do eterno sonhador que é o ser humano? Faz tudo parte desta nossa maneira narcisista de existir.
A verdade é que só nós é que temos uma noção de tempo, mais nenhum animal anda de relógio no pulso, isto porque as nossas little minds precisam de uma ordem cronológica para tudo o que acontece à nossa volta, mas e se o nascimento e a morte do Universo estiverem a acontecer agora e ao mesmo tempo? E se toda a eternidade estiver contida num só segundo, num instante eterno? 
E se nós formos o início e o fim?

Está na hora de largar o álcool.


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